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Aquela tal internet

23 de fev.
3 min de leitura

Eu estive refletindo esses dias que gostaria de voltar a postar conteúdos no Instagram, até montei um roteiro prévio sobre o uso de inteligência artificial e os cuidados que devemos ter...


Pois bem, eu estava rolando a timeline nos últimos tempos e refleti tanto sobre o que é visto e o que não é. Tem muita gente passando a perna em seguidor, prometendo rios e mares, e no real não é assim que a banda toca, mas aí que veio o que me fritou as ideias: isso foi uma pequena parcela do que eu já vi, imagina a imensidão de coisas que não sabemos?


É mais do que óbvio de que as redes sociais são um antro de boa vitrine, que inicialmente não foram criados para isso, mas sim, para gerar conexões e aproximar as pessoas. Podemos visualizar na prática as comunidades e grupos, e costumava ser realmente legal entrar, participar, brincar, rir, e depois sair e viver uma vida normal.


O instagram trouxe um modelo aterrorizante de novo comportamento para a sociedade e principalmente para os jovens da minha faixa etária, e para os mais novos só piora...

Virou algo tão naturalizado pintar uma vida fictícia que me parece que todos têm liberdade artística para criar um personagem e seguir assim, tudo é questionável, tudo é precipitadamente pensado.


Se ainda estou lá? Estou... Há um ano decidi criar um perfil bem fechado para pouquíssimos amigos e familiares, para postar o cotidiano, comida, um céu, uma unha, etc. Como as coisas eram antes, e eu particularmente acho bem mais legal. Hoje em dia ninguém comenta nem curte nada, as pessoas não se conectam como "deveria" ser. Então deixei o perfil aberto para tentar manter relações públicas e profissionais, para garantir um dinheiro extra, porque honestamente não está fácil, mas isso já é outro tópico, voltemos ao ponto: tem muita coisa artificial por aí, e você tem que ser tão firme para entender que aquilo ali não é tão verdadeiro quanto parece.


E você começa a pensar: "eu realmente estou gerindo a minha vida mal mesmo? Por que tem tanta gente tão bem, é tudo tão fácil, prático e solucionável, e eu estou aqui tentando como uma fdp" (Jesus acho que este possa ser o primeiro palavrão deste blog), e parece que há sempre algo errado.


A rotina é prática, as pessoas almoçam tranquilas, parecem sempre ter um relacionamento sem qualquer tipo de brigas, e a pele está sempre impecável. Todo mundo consegue organizar férias periodicamente, e você não consegue pagar o aluguel...


E aí quando nada poderia piorar, entramos na maldita era de mounjaro e todo mundo é magro magicamente, e misericórdia como é fácil, mas ninguém te conta isso, porque é só adequar a sua rotina para que você tenha tempo de fazer quatro atividades físicas ao longo do dia, se alimentar bem é tão barato... Por que você ainda não começou a fazer isso também? É só fazer isso, ué...


É tão fácil manipular uma narrativa nos dias de hoje, que qualquer um parece um bom storyteller, mas no geral, é mentira!!! É muita mentira.

E eu detesto isso, sabe? Eu me pergunto por que não mantivemos aquele ar legal de comunidade, por que as pessoas pararam de mostrar um café bonito? O céu às 17h43 de uma quinta-feira, levemente alaranjado? Eu me importo com os almoços que a sua família faz aos domingos. Quem é a sua avó? O que ela cozinha que te deixa feliz?


Ninguém mais conta isso.


Eu não sei usar o babyliss direito, mas parece que todo mundo dorme e acorda com o cabelo em ondas impecáveis.


Percebi há algum tempo que não podemos e jamais devemos deixar de interpretar as situações que ocorrem ao nosso redor. Minhas amigas possuem realidades muito diferentes, e às vezes não dá pra "acompanhar", e isso é tranquilo, cada um sabe dos seus próprios calos. Mas nem por isso pintaremos uma vida ideal.


E se um dia eu passei essa impressão me perdoem. Eu tenho muitos problemas, e como diria a minha deusa Natália (Adorável Psicose) eu sou assim, extremamente problemática.

Eu tenho um milhão de problemas financeiros, meu emocional é extremamente abalado, minha alimentação está ruim, e eu tenho gordura no fígado (é recente), e eu acabo compartilhando isso aqui e no perfil fechado (@desenfrescaa), e se você está se sentindo um cocô, eu também estou, e a minha vida não é perfeita.


Me lembrei que é por isso que eu gosto de encontrar o Lucas (o publicitário), porque 99% das vezes que encontrei ele nos últimos 12 meses foram em consultórios, na maioria psiquiátricos, e a gente se entente: está todo mundo mal, e é bom não se sentir sozinha, e não sentir que só você falhou e por isso é uma adulta fracassada.


Tem tanta gente na merda por aí, mas só não é visto.


Acreditem, quando precisarem: eu estarei aqui para um bate papo...

 
 
 

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