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Que ano foi esse e eu não estou reclamando, pelo menos não tanto

  • 29 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura


Parece-me improvável escrever algo como o que eu venho me preparando há semanas para pôr em palavras, não por medo, mas cansaço mental, físico e espiritual.

Final de ano, e com ele chegam reflexões e balanço de como foi o ano de 2025. Se alguém me contasse um ano atrás eu não acreditaria, foram tantas tantas coisas que parece ter saído diretamente de uma série da Hulu.


Nos últimos dias tenho refletido sobre o fato da minha mãe ter ido embora. Tenho refletido bastante, na verdade. É um misto de sentimentos estranhos: estou feliz, estou com medo e cheguei a pensar “meu Deus, cheguei à temporada de Friends, onde de fato, seus amigos e seu noivo são a sua família, porque a sua primeira família mora longe agora”. Me parecia coisa de série, mas não é que é verdade?


Me peguei chorando abraçada ao Davi pensando “e agora?”, não porque eu não saiba que ele é minha família, mas por saber que eles não estão mais aqui, nem o vovô, nem a mamãe, e ver alguns familiares por perto e sentir que não é a mesma coisa, e é ruim dizer ou pensar em algo assim? Eu acho que não né, porque sempre estive com eles, e agora eles estão longe, mas ao mesmo tempo parece que estou fazendo uma tempestade em copo d’água? 


É meio bobo pensar assim?


Eu tenho aprendido a aceitar meus sentimentos, então vou me responder que não.


Muito bom o sentimento de construir família, e nem falo em filhos, mas eu e ele. O sentimento de chegar em casa e olhar pro Davi é a maior sensação de paz que sinto em todo o meu dia. Eu sei que chegando em casa estou protegida, nada me fará mal e estou em um refúgio de paz. É muito gostosa a sensação de dividir a vida com este homem.


Eu nunca achei que minha vida mudaria tanto em um ano, mas agora temos casa, tv e até um sofá. Ninguém faz ideia do quanto eu amo esse sofá. Geladeira eu também te amo. Se pudesse rankear compras para a casa seria a geladeira, o sofá e a tv. Muito bom.


Dá um medo danado sair de casa. Quando saí pensei que jamais conseguiria viver financeiramente fora de casa pagando aluguel, ainda mais que não pagávamos antes, entretanto, a Giovanninha interior ficava me falando “se todo mundo consegue, eu dou conta também, certo?”, e a minha psicóloga dizia: SIM.


Ela tinha razão, e ela geralmente tem mesmo, adoro que ela tenha chegado na minha vida este ano também, sou muito grata às conversas que tenho com ela. Quero perguntar na próxima consulta sobre um balanço de como ela acha que estou indo. Será que melhorei? Eu diria que estive bem, estive mal, estive abaixo do fundo do poço, me reergui, e dei uma decaída nos últimos tempos. Ando pintando o cabelo para me sentir melhor. Ainda não funcionou, mas ainda acredito que melhorará.


Ligar o notebook me fez trazer a necessidade de escrita, emergencial mesmo, como a necessidade que senti a vida inteira. É fantástico. Sinto que ainda estou aqui, bem preservada. Esses dias eu postei um story assistindo Floribella dizendo que estava alimentando minha criança interior para que a minha adulta exterior sobrevivesse. Talvez a vida adulta seja um pouco sobre isso: não se abandonar para executar e sobreviver. Escrever é uma dessas coisas. Tenho aprendido que não posso deixar ninguém tirar isso de mim, porque sim, tiraram.


Sinto que esse ano, ao mesmo tempo que foi ótimo, passei por muitas provações, como chamam, porque fui testada emocional e psicologicamente uma dezena de vezes e não foi fácil.


Escrevo neste blog há dez anos, DEZ ANOS, e sempre sempre bati na tecla de nunca perder a minha essência, mas este ano senti ela saindo de mim e ficando mais fraca em muitas ocasiões. Então reforço aqui: Giovana nunca esqueça de ter sonhos, eles te mantém viva, brilhante e exalando as energias que te trouxeram até aqui.


Me perdi muito, mas mal posso esperar por me reencontrar e me redescobrir a cada dia mais. Que 2026 seja um ano legal, amém. 


 
 
 

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