Eu penso muito sobre ansiedade
- desenfresca

- 5 de jan.
- 2 min de leitura
Tenho pensado muito - e a palavra muito ainda não é muito o suficiente - sobre ansiedade, depressão e coisas que acontecem mais do que eu gostaria: crises de pânico.
É estranho escrever abertamente sobre isso, porque há cerca de sete anos eu me isolei, morria de vergonha de falar que eu tomava remédios, tinha medo de sair de casa com amigos e passar mal, sentia que daria trabalho e as pessoas se afastariam de mim. Bem, isso ainda está aqui um pouquinho, apesar de que hoje em dia eu já não sinto que a culpa é minha e entendo que outras milhares de pessoas devem passar pelo mesmo que eu.
É ruim, é caro, me traz um sentimento de impotência, porque por mais que eu queira melhorar da ansiedade, uma depressão chegou junto, me vi no fundo do poço como já falei milhares de vezes, e realmente ter uma depressão e ansiedade generalizada é um completo caos, porque ao mesmo tempo que você grita desesperadamente, você está em completo silêncio e paralisia, e é simplesmente o pior sentimento do mundo inteiro, porque você sabe o que precisa ser feito e não tem forças.
Não é preguiça, não é, eu juro, é uma solidão interna desesperadora.
Olhar a sua casa, o seu corpo e só querer chorar porque não consegue deixar da forma como você gostaria.
Desenvolvi compulsão alimentar por ansiedade e depressão, que significa que como para me sentir melhor, mas é passageiro, e como vocês podem imaginar: não resolve o problema a longo prazo.
Relatei tudo isso ao médico, e Jesus como é libertador escrever isso, diminui tanto a minha culpa por ver como meu corpo está e ter tanta solidão para sair disso, sabe? Parece tão bobo falar isso, porque parece tão simples: é só fazer exercícios e se alimentar bem, a receita está aí, então por que não dá certo?
Eu não tenho conseguido ter constância em muitos aspectos da minha vida, então eu começo coisas, me empolgo, tenho surtos de produtividade e depois me afundo em um processo de desânimo e agonia.
Parece um texto tão triste olhando assim, mas me faz bem colocar para fora e até chorar. Sinto que falho demais, então vivo me cobrando para fazer tudo isso que falei no parágrafo anterior, e o sentimento de culpa só me trava.
É bem difícil…
Vemos nossas mães como super heroínas, ao menos eu sempre vi a minha assim. Não sei dizer como ela conseguia dar conta de tantas coisas, tantos problemas ao mesmo tempo, e ainda conseguia ser o meu suporte quando eu desmoronava no começo desse processo de diagnóstico. Será que conseguiria como ela conseguiu?
Colocar para fora sem dúvidas me deixa mais leve, como sempre falei: parece que organizo meus sentimentos quando coloco em palavras. Eu sei que em algum momento dará certo, os exercícios, a medicação, a terapia (que nunca nunca falto), então tenho tentado respirar e dizer “vai dar certo, né?”
Deve dar!





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